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A história de "Viva Muddy Waters"

Em agosto de 1941, o pesquisador musical Alan Lomax realizou gravações históricas no Mississipi. Com um gravador portátil na casa do desconhecido bluesman McKinley Morganfield, Lomax fez o primeiro registro de "I Be's Troubled". Alguns anos mais tarde, Morganfield migrava para Chicago para gravar para o selo Aristocrat, dos irmãos Chess, a mesma canção com um novo título: "I Can't Be Satiesfied". McKinley tornava-se assim Muddy Waters, e surgia o primeiro de seus inúmeros hits.

Os LPs de Muddy Waters começam a ser lançados no Brasil no início dos anos 80: Hard Again, King Bee, I'm Ready e Muddy "Mississipi" Waters Live, produzidos por Johnny Winter, exemplificam muito bem sua sonoridade visceral. Em 1986, Flávio Guimarães, Cláudio Bedran e Otávio Rocha montam uma banda de blues com a mesma instrumentação básica do ídolo: guitarra slide, harmônica amplificada, guitarra, baixo e bateria. Conhecem Greg Wilson, norte-americano nascido no Mississipi, e juntam-se ao baterista Gil Eduardo para gravar seu primeiro LP, um ano depois. A partir de 1994, Pedro Strasser assume a bateria.

Vinte anos depois, o Blues Etílicos realiza seu mais ambicioso projeto: uma homenagem explícita ao mestre. Foram necessárias duas décadas de amadurecimento musical para o quinteto se considerar apto a pisar em "solo sagrado", como eles mesmos costumam se referir ao repertório de Muddy Waters.

A força dessa música, que permanece intacta há mais de 60 anos, é o ponto alto deste CD. E foi com esse respeito, imposto pela aura de um mito, que este CD foi gravado: ao vivo, em estúdio, com boa parte das músicas no primeiro take. O objetivo da banda, e do produtor Amleto Barboni, foi construir um álbum de blues cru, poderoso e o mais honesto possível.

E Viva Muddy Waters!!!

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