Walking Blues
   I Want To Be Loved
   Messin’ With The Man
   Diamonds At Her Feet

San-Ho-Zay

I - San-Ho-Zay
II - Walking the streets
III - My babe she's gona leave me
IV- Boogie pro Lao
V- No way
VI - What's on your mind
VII - Last night
VIII - Juker
IX - You mean trouble
X - If I had possession over judgment day


"A primeira vez que ouvi o Blues Etílicos foi no disco de estréia, que chegou às minhas mãos autografado por todos os integrantes do conjunto, depois de uma temporada relâmpago da banda no bar Jazz and Blues, em Santo André (SP). Foi um gesto simpático, afinal nunca havíamos sido apresentados antes. Conferi o trabalho e meu desejo foi cumprimentar todos eles na próxima oportunidade. Dei sorte. A banda foi convidada a se apresentar novamente no bar semanas depois. Fiquei surpreso porque nunca ouvira antes de uma banda brasileria de Blues som tão competente. A sensação que tive na hora foi a de estar diante de um grupo que tinha acabado de chegar do Sul dos Estados Unidos, não do Rio de Janeiro, ao estilo dos Allman Brothers: duas guitarras solo. Mas tinha também uma gaita fantástica e uma cozinha - o baixo e a bateria - que segurava todas. Pelo jeito, a "safra de 63" veio para ficar.
No segundo disco - Água Mineral, já pela gravadora Eldorado -, o Blues Etílicos apareceu mais maduro, com composições próprias mais marcantes e homenagens dignas de aplauso a Big Walter Horton, Robert Johnson, Charles Brown e à dupla Leiber & Stoller, perfeitamente resgatada com a participação de André Chistovam. A primeira vez que o Blues Etílicos tocou em São Paulo, no Dama Xoc, foi no show de lançamento deste disco. Dois meses depois aconteceu o Festival de Blues, em Ribeirão Preto (SP) e o Blues Etílicos abriu o festival e , especialmente, a noite de Buddy Guy.
O resultado da participação da banda no festival e a convivência com os grandes bluesmen convidados foi o amadurecimento musical - e até pessoal de cada um dos integrantes do Blues Etílicos - o que pode ser notado agora com o terceiro disco San-Ho-Zay. Basta conferir, por exemplo, a partir de What's On Your Mind, que abre o lado A. A parte vocal neste disco todo é de Greg Wilson. Last Night, de Little Walter, um Blues com andamento lento é prova da sofisticação a que chegou os solos com slide de Otávio Rocha. E com Juke, também de Little Walter, Flávio Guimarães mostra que assimilou as lições do mestre e que vai além. Destaque para a interpretação de Greg em You Mean Trouble, que fecha o lado A, coincidentemente com mais espaços para a gaita.
Em compensação, fãs de guitarra, aproveitem o lado B desde os primeiros acordes de San-Ho-Zay, instrumental de primeira linha criado por Freddie King. Talvez seja nesta faixa que fique patente a evolução do Blues Etílicos. Além do vocal e da guitarra, impecáveis, Greg sola seu trumpete - pela primeira vez em disco - e o aranjo proporciona a mais que no original de Freddie King solos para a gaita de Flávio e para o baixo de Cláudio Bedran. Walking The Streets traz uma coisa mágica que o Blues Etílicos revela neste disco: um espírito que mexe com o corpo e que está presente também em My Babe She's Gonna Leave Me uma releitura de Roy Buchanan, e só sossega depois de Boogie Pro Lao, dedicada ao filho de Flávio.
Podem até perguntar: e a bateria do Gil Eduardo? Só não está explícita em No Way, um Blues acústico que encerra o lado B. Com o baixo de Cláudio, Gil proporciona com seu vigor toda a pulsação do Blues Etílicos, que definitivamente superou o que se chama de banda de "cover".
O som da melhor banda nacional de Blues está em suas mãos. Não deixe escapar essa emoção."

Luiz Fernando C. Vital, na embalagem do LP, e depois no encarte do CD.

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